Em um lapso do segundo,o Caos se estabeleceu

Em um lapso do segundo, entre uma letra e outra
Entre um piscar e o outro
Entre um respiro e seu circular
O Caos se estabeleceu
Do nada
De tudo o que acontece, demoradamente dentro de cada sentir e pensar
O imenso buraco do nada estava tecendo minha vida
Uma escuridão total
Cegueira interior onde os pensamentos não mais existem
Só a certeza que nada é
Nada pode
Nada acontece
Nada existe
Por um simples momento entre segundos
Não havia possibilidade de existência
De saída
Ou entrada para um outro momento não infinito do Nada ser
Tudo era início
Escuro e fértil início
Mas desconhecido e assustador
O “ instante já “ que já não é mais
O absoluto completo
Não sou,
Embora volte a ser no próximo segundo
E sem saber como será este próximo segundo
Esse próximo minuto
Hora
Dia
Tempo
Espaço
Existência contínua de emoções diferenciadas e possessivas
Movimentos interruptos de sangue correndo entre veias dilaceradas e re criadas
Sentimentos vorazes e carentes intercalando -se
Na busca da saída destes entre segundos de agonia ignorante
Mas alimentos para as construções, estruturas do meu ser
Eternamente insatisfeito com o pulsar orgânico do que descubro e apreendo dentro de uma memória sensorial
O instante se desfaz
O lapso entre tempos de segundos termina no novo segundo desconhecido
E assim vou a cada momento
Tentando entender o que jamais poderei saber pelo entendimento
Mas sim,
Pelo entregar-se a cada um destes segundos eternos de sensações, visões e intuições silenciosas e agudas ....